terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Ser feliz merece bis

Descubro que posso produzir depois da meia noite e que a solidão pode ser a melhor parceira nas horas de trabalho. Que na verdade as madrugadas são um bálsamo para a mente inquieta e que o silêncio reverencia e dá boas vindas à inspiração.
Uma boa xícara de café e uma dose de motivação passam a ser os fiéis escudeiros de quem agora dedica-se às palavras. Trabalhar com o que se gosta, fazer algo que traz realização é o melhor combustível para adentrar a madrugada em busca da frase perfeita, do tema interessante, da prosa e da poesia que pode ser encontrada na rua, no dia-a-dia, na pessoa parada na esquina, na criança brincando na praça, no sorriso de um amigo ou no abraço de um amor.
Descrever o que é belo, analisar o que se sente, contar uma história, juntar palavras e frases e transformar em poesia, em rima solta, em sentimento exposto e compartilhado. Trazer o que aflige, desvendar o que nos gera curiosidade, afastar o que nos causa medo e mitigar o que nos causa espanto.
Ser protagonista da própria história, guiar os próprios passos e reconhecer as próprias dificuldades, sem nunca perder a serenidade e o encanto por aquilo que nos torna humanos: o reconhecer-se frágil, com defeitos, com medos e, paradoxalmente a tudo isso, descobrir-se com uma força inesgotável de superação. Buscar a felicidade e realizar-se enquanto pessoa. Eis o sonho que todos nós acalentamos. Se estou me repetindo, me perdoem. É que ser feliz merece bis. Merece repeteco. E é um direito de todos.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Do amor

A fagulha de esperança que move um coração ferido é a expectativa em recompor-se para um dia novamente bater descompassado. Apaixonar-se diariamente pela mesma pessoa é o que modifica os sentimentos e os renova. A importância das conversas, dos carinhos, dos braços e dos abraços. Do sentir-se amado e protegido, reconhecido e compreendido mesmo que no silêncio de um entrelaçar de dedos ou de pernas e pés. Da certeza de não estar sozinho, mesmo que a distância física por vezes perdure. Do dividir angústias, alegrias e conquistas. Do somar ideias, sentimentos e sonhos.Pois amar é justamente isso: somar, dividir, transformar. Mas há que se ficar atento, pois até o maior dos amores pode modificar-se, transmutar-se, pedir por mais compreensão, mais calma e paciência, por um cuidado especial, uma atenção redobrada, um pingo nos "is", uma "dr" na madrugada e uma trégua sem meias palavras mas com total sinceridade.Como tudo na vida, na verdade.Ajustar-se aos novos desafios, aos novos sonhos, as velhas manias e aos defeitos inconcebíveis, porém impossíveis de serem mudados, trocados ou simplesmente ignorados. A certeza da finitude está presente até mesmo no maior dos amores. E isso deve ser o ponto de alerta para que se faça sempre o melhor e o mais justo, para que não se perca nunca a ternura, para que se esteja sempre atento aos momentos de dificuldades e de desencontros. Porque as pessoas mudam, os sonhos por vezes se perdem na rotina, na mesmice ou na brigas recorrentes. O afago se perde no vazio do silêncio raivoso. E então é hora de parar, respirar, recordar e recomeçar e lembrar que o amor maior do mundo nunca tem hora para acabar e por sorte pode sempre se renovar, não importa quantas vezes você tenha que reciclar.E melhor ainda se for sempre com que você tem ao seu lado. Porque o amor maior do mundo é aquele que faz o seu coração descompassar e ao mesmo tempo acalmar, que te tira do sério e te coloca na linha, que te instiga a ser sempre melhor e tentar encontrar na sua vida um sentido, um rumo, um significado maior que tudo o que você pode imaginar. Porque por mais que não pareça agora, nesse exato momento, sempre é tempo para amar, viver, perdoar e recomeçar.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Do que se passa

Uma página em branco. E a sensação de que as palavras tentam fugir, desconexas e sem sentido. Estão sendo canalizadas em outro campo, em outras páginas, em breve palpáveis e não apenas virtuais.
Acalma a alma enquanto sente-se realizada. Trabalho quase finalizado, para fechar o ano com gostinho de missão cumprida.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Do trabalho e do clichê que é viver

A noção de trabalho muitas vezes é confundida com a de emprego. Só porque você não tem um empregador e uma renda fixa com todos os direitos trabalhistas incluídos não quer dizer que você não tenha um trabalho.
Trabalho é uma ocupação, uma tarefa que você realiza com um objetivo. Seja para ocupar o seu tempo, seja para cumprir uma tarefa necessária a algo ou alguém, você estará trabalhando. E se for com prazer e satisfação, melhor ainda. Recebendo uma renda por isso então, o supra sumo da realização.
Eu achava que este ano seria mais um ano a passar em brancas nuvens. No meu caso um pouco negras, é verdade. Os trinta batendo, a insatisfação comigo mesma em uma crescente, a angústia por não estar se sentindo produtiva, necessária fora do contexto familiar e sentimental. E de repente, o click. O despertar para tudo o que sempre quis. Trabalhar com satisfação, com alegria, com motivação.  A coragem  e o desapego em abandonar tudo o que já havia me sido imposto como o ideal, o correto, seguro, porém nada prazeroso.
Posso hoje encher a boca para dizer: estou trabalhando com o que gosto. E o que gosto é de escrever. De tocar os mais profundos sentimentos através das palavras, das informações trocadas, das ideias compartilhadas. Fomentar a criatividade, reproduzir o belo, desmistificar o feio e o incorreto, propagar alegrias, realizar debates, instigar a imaginação e o saber mais.
Ler mais, procurar mais, crescer mais. Ser mais você mesmo, buscar o diferente no outro, aceitar essas diferenças e crescer através delas. Fazer tudo o que você se propuser com carinho, motivação e alegria. Problemas irão surgir, eu sei. Mas o mais importante é saber como resolvê-los, como encarar as adversidades. Alegria e leveza sempre são bem vindas. Desarmam qualquer cara feia, amenizam palavras duras, apaziguam ares em conflito, resolvem atritos de forma educada.
Porque o que te define enquanto uma pessoa que faz a diferença é um emaranhado de relações, atitudes, aspirações, princípios, valores, desejos, realizações, trabalho e o papel que você exerce dentro e fora do seu círculo familiar, na sua sociedade, na sua comunidade.
A importância que você atribui ao seu trabalho será proporcional ao prazer que ele irá te proporcionar. E isso irá refletir em como as pessoas irão te enxergar e te valorizar por isso.
Busque o que você gosta, o que te dá prazer, o que te torna feliz, o que te motiva. Saiba sempre porém, que nem sempre será possível fazer só coisas legais ou que você está realmente a fim de fazer. Mas as faça, com a mesma vontade e determinação que faria o que te deixa feliz.
Porque sempre depois da tempestade pode aparecer o arco-íris. É um clichê bem blasé, eu sei. Mas viver é isso mesmo. Um clichê. Mas um clichê que pode ser reinventado e revisitado todos os dias, basta você descobrir qual é o seu melhor momento e aproveitar as melhores oportunidades.