quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Da beleza e do amor

Hoje cedo a primeira música que eu ouvi quando liguei o rádio na cozinha (sim, pois mesmo nessa era de IPod, celular que canta e tudo o mais, eu ainda tenho por hábito escutar música no rádio, principalmente de manhã) a letra da música, numa livre tradução minha, questionava "você ainda irá me amar quando eu não for mais jovem e bonita?". A música é de Florence Against The Machine, belíssima por sinal, a cantora e a música, e que me fez ficar pensando a respeito dos amores, do passar do tempo e do que você deve realmente levar dessa vida. E quando digo levar dessa vida não estou me referindo ao momento em que iremos passar desta para uma melhor. Mas sim do que devemos levar enquanto somente sabemos que o hoje é nossa única certeza e que por isso mesmo devemos ter a noção de que o que estamos oferecendo aos nossos amores  no tempo presente é o que devemos dar de melhor.
A beleza e a juventude podem ser sinônimos de alegria, satisfação e prazer até um certo ponto de nossas vidas. Mas e depois? O depois é que precisa ser salvo. Porque quando os corpos já não tiverem o mesmo frescor e vigor, quando a pele já não for mais lisinha, quando os movimentos já estiverem limitados e os cabelos escassos ou branquinhos, o que você terá levado para o amanhã?
Já escutei ou li uma frase, mais ou menos assim: que depois de uma certa idade, o que sobra de melhor para um casal é ter o que conversar.
Acrescento ao ter o que conversar o rir de si mesmo. O bom humor, o carinho mútuo, o respeito ao silêncio e ao isolamento do outro. A necessidade em ficar só e deixar o outro só também, pois cada um necessita de um pouco de individualidade, de liberdade em estar sozinho, recompor-se consigo mesmo para depois retornar renovado ao "nós".
É preciso uma boa dose de paciência, compreensão e compaixão. Interessar-se genuinamente pelos gostos e prazeres do outro, mesmo que estes não sejam os seus favoritos. Estar atento à mudanças de humores, para se afastar se preciso for ou abraçar se acaso ele necessitar.
Ter intimidade suficiente para não ter que preencher o silêncio com palavras ao vento. Conhecer cada  parte e cada pontinha de pele, para poder proporcionar os carinhos e os prazeres indispensáveis. Conhecer sua cor favorita, seu prato predileto e nunca esquecer que camisa de bolinhas ele jamais vai usar, que amarelo queimado não fica bem em ninguém e que às vezes ele não vai entender a sua necessidade em falar tanto, gesticular com as duas mãos, falar ao telefone enquanto cozinha e escutá-lo enquanto dá atenção ao seu filho ou ao cachorro.
Porque é a boa convivência que nos torna eternos amantes, independentemente de corpos sarados ou não, de cabelos brancos ou pele enrugada. É o formar um família, dividir um lar, uma cama, um banheiro, é ouvir um desabafo, ganhar um afago, dividir angústias, tristezas e alegrias, educar um filho, almoçar junto no domingo, discordar, ceder, recordar, perder, ganhar. É o viver tendo a certeza do apoio, do puxar a orelha quando necessário, da verdade franca nas horas difíceis, do riso e das gargalhadas. Do estar juntos só por estar, sem pressa, sem cobranças.
O amor é um sentimento vivo, em eterna construção e descontrução, aceita reformas, perdas e reparos. Mas precisa ser cuidado, sempre. E ainda que a beleza seja fundamental, como já disse o poeta, quando essa se for só ficará o amor que você nutriu e dispensou através dos gestos e dos cuidados, do conhecer-se a si mesmo e ao seu amor profundamente e do gosto por estar ao lado de uma pessoa que consegue ser linda por inteiro, independente das marcas que o tempo deixar nele.
Preserve seu bom humor, seu carinho, seu braços sempre abertos para um abraço, seus ouvidos sempre atentos para conversas e sua palavras sempre presentes. Tudo isso é imune à passagem do tempo e ainda que não tão jovem ou tão bonita, terá levado o seu melhor para o amanhã com seu amor.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Da paixão

Recentemente li o livro "A condição indestrutível de ter sido"  da Helena Terra. A história de uma paixão fulminante, avassaladora, cortante e dilacerante, como várias as histórias de amor que um dia já vivemos ou, para aqueles que preferem esquecer, o que um grande amigo já viveu. O desenrolar de uma história sem final feliz, sem o "e viveram felizes para sempre", sem cavalo branco ou casamento de final de novela das oito. Real e dolorida, como só uma história de um amor não correspondido consegue ser.
Uma personagem voraz em viver uma paixão, em realizar seus desejos, em entregar-se por inteiro, de corpo, de alma e de mente. Porque é assim que nos perdemos nos amores já tidos perdidos. Na entrega incondicional, no confessionário de fraquezas e na propagação de atos impensados e mal entendidos.
Quem nunca se viu entregue a um sentimento maior que toda a sensatez e racionalidade somente obtidas enquanto ausente o bater descompassado de um coração apaixonado?
Quem nunca entregou-se achando estar já entregue o coração da outra parte? Quem nunca alimentou-se da espera do toque de um telefone, de uma mensagem na caixa de entrada, de um cruzar de olhares mesmo que fugaz?
Quem nunca passou horas a conjecturar encontros "ocasionais", conversas que jamais existiram, passeios que nunca se realizaram, sonhos que nunca foram concretizados, palavras que nunca foram escutadas, somente imaginadas nos mais infinitos graus de loucura delirante apaixonada?
Porque uma paixão faz isso. Ela nos leva a delirar, a ter ciúmes doentio, a travar guerras sentimentais, a nos humilharmos por um pouco mais de atenção ou de poesia nos atos do dia a dia. Ela nos fere na ausência do carinho, do não entrelaçar de dedos, do não sentir-se correspondida em todos os aspectos viscerais que somente uma paixão unilateral consegue basear-se.
Helena Terra nos mostra toda a face nua e crua de um ser em ebulição, de um ser irracional e por vezes insensato ou até mesmo cruel consigo mesmo, um ser que qualquer um de nós já tornou-se quando envolvido na ciranda de uma paixão não correspondida.
 E para aqueles que lendo isso consideram-se superiores porque imunes a tudo o que foi exposto, meus sentimentos. Pois somente quem já entregou-se assim conhece a si mesmo de forma completa, com suas faces mais obscuras e as reconhece e as domina e convive com elas. Porque o reconhecer-se humano passa invariavelmente pela seara das paixões que um dia poderiam ter sido um grande amor.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

De pais e filhos

Nossos pais são nosso porto seguro, nosso norte em qualquer situação. São eles quem nos dão o maior dos amores, o melhor dos abraços e o mais carinhoso beijo.
Eles nos ensinam o que é certo e o que é errado. Nos dão a mão quando precisamos nos apoiar e nos dão um colo quando precisamos chorar.
Crianças precisam disso tudo, mas precisam de bons exemplos também. Já disse minha amiga Marina, "não há nada mais contagioso do que o exemplo".
Por isso ensine seu filho a dizer as palavras mágicas. Por favor, obrigado, com licença e me desculpe têm uma força incrível, e os pequenos descobrem isso rápido e as usam quando as usamos com eles também. Mostre ao seu filho que lugar de lixo é na lixeira, que desperdício de comida é coisa muito feia e que ajudar ao próximo é algo sempre bem vindo.
Alerte sempre sobre o desperdício de água, incentive a ter um bichinho com responsabilidade, a dividir seus brinquedos e material da escola, a respeitar os mais velhos e os seus professores.
Demonstre sempre o quanto ele é importante, mas não deixe-o pensar que é o centro do universo, porque ele não é. Trate-o com respeito e com palavras doces, sem deixar de impor limites. Preocupe-se em saber como ele está, mas não o sufoque com super-proteção.
Brinque e dedique um tempo só para ele, isso tem um poder de aproximação incrível e ele irá saber que pai e mãe também podem ser crianças, mesmo que só de faz de conta. E um dia ele, quando for pai ou mãe, também irá transmitir tudo o que aprendeu com você.
Prepare-o para a vida, pois não será para sempre que você estará ao seu lado para protegê-lo.
Por isso, não esqueça nunca de tentar dar o melhor de si para o seu filho. O que ele vivencia, escuta e sente é o que ele levará para resto da vida e para o mundo, que infelizmente nem sempre tem os braços e os abraços de nossos pais.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Aos meus professores

Entre as tantas profissões que um dia pensei em seguir a de professor sempre foi uma delas. Independente da formação que eu tivesse, uma das minhas opções era a de ser professora universitária. Mesmo que os caminhos que eu segui não tenham me levado a isso, minha admiração por esta profissão continua intacta.
Desde o ensino primário, sempre tive uma admiração muito grande pela figura que todos os dias dedicava uma boa parte do seu tempo para compartilhar conhecimento, ensinar, orientar e acolher. Sim, porque tive a sorte de ter tido pessoas assim na minha formação. Professores dedicados e comprometidos com uma das mais importantes profissões: a de formar cidadãos através do conhecimento, da capacidade de pensar, de formar opinião, criticar com inteligência e conteúdo, dividir o conhecimento adquirido e usá-lo para crescer e ser alguém que também faz a diferença.
Por isso um dia quis ser professora. Por acreditar nesta missão como uma forma de melhorar as pessoas e o mundo, de propagar o conhecimento, a liberdade de sermos pessoas melhores através da cultura, da informação, do conhecimento, não apenas através das matérias técnicas mas também dos valores da ética, da boa educação, do respeito ao próximo e ao mundo enquanto uma responsabilidade de todos.
Encontrei algumas maçãs podres nesta cesta, é verdade, mas foram tão poucos que não deixaram grandes marcas e nem fizeram grandes estragos. Profissionais descomprometidos você encontra em qualquer profissão, em qualquer área de atuação. Assim como encontrei alunos, colegas, incapazes de enxergar essas figuras da mesmo forma que eu enxergava: com respeito, admiração, reconhecimento e gratidão.
Meu muito obrigada a todos os professores que um dia souberam dividir o seu dom comigo, o de educar. Se hoje sou o que sou, em grande parte devo a essas pessoas. Junto com a base familiar devemos sempre lembrar que os professores e a escola desempenham um papel importantíssimo em nossa formação.  Porque a educação é a base de tudo.