segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Das crianças e sua sinceridade

A literalidade e a sinceridade das crianças me encantam! Semana passada levei minha filha Antônia à dentista, coisa que ela faz lépida e faceira, comporta-se como uma mocinha e não tem pudor nenhum de ao final da consulta solicitar seu "prêmio", geralmente um brinquedinho e uma escova de dentes nova da gaveta mágica  da tia Renata.
Então, quando chegamos ao consultório já havia um senhor na sala de esperas. Ele nos cumprimentou e iniciou uma conversação típica de um adulto e uma criança:
-Oi lindinha, como é o seu nome?
- Antônia.
- É mesmo, mas que lindo nome e quanto aninhos você tem?
- Três (ela mostra os dedinhos) já fiz três anos e depois vou fazer quatro!
- E você vai no dentista então hoje?
- Não, eu já estou no dentista.
O adulto ri um riso meio bobo e a minha pequena fica atenta esperando pela retórica que não vem. Oras, ela somente respondeu, da forma mais sincera e óbvia, à pergunta do seu interlocutor.
Isso me fez pensar em quantas vezes, depois de adultos, deixamos de ter conversas francas, sem subterfúgios, com leveza, literalidade e sinceridade de criança. Diversas, com as mais variadas pessoas.
A grande consequência é que por vezes não expressamos o que realmente sentimos, o que realmente queremos ou esperamos das pessoas, das situações, da vida. Perdemos a oportunidade de nos mostrarmos da forma como realmente somos, o que realmente pensamos e como encaramos os fatos e também de saber o que a outra pessoa pensaria sobre você e sobre o que você está sentindo ou querendo expressar na sua forma mais genuína.
Isso tudo por medo. Medo de não ser aceito, de não ser compreendido, de ser julgado. Crianças ainda não sabem o peso desses medos e encaram tudo com mais naturalidade, mais leveza, mais alegria.
Sejamos um pouco crianças, sejamos mais sinceros, mais leves, mais abertos, mais inocentes, com toda a graça e a cor que uma criança consegue tirar da vida.


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